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terça-feira, 30 de abril de 2013

.Empoderamento, entenda o que é, encontre o seu e livre-se do que é "faux"



Cláudia Rodrigues*


Para Juliana Carvalho, por sua capacidade de entrega impressionante




A palavra empoderamento, que não consta no meu Aurelião, foi usada com maestria pela antropóloga Robbie Davis-Floyd como possibilidade prática de resolver conflitos culturais que impedem as mulheres de parir livremente. Nascida do original inglês empowerment, o termo ganhou fama no Brasil como uma das melhores explicações para a necessidade da (re)aquisição de habilidade emocional, mental e corporal que colocaria a mulher em conexão com uma capacidade fisiológica importante do corpo feminino que vem sendo boicotada por constantes choques culturais. “Importante” aqui é termo subjetivo e deve ser refletido.

Empoderamento não é definitivamente uma força de vontade e não é o desejo somente, mas o desenvolvimento da habilidade para conectar o desejo, força vital máxima do corpo humano, aos prazeres culturais, orais, obsessivos, psicopáticos, masoquistas e inevitavelmente esquizos que criamos para nos distrair. Talvez também para tapar buracos, defender fronteiras, mas muitas vezes é mero deleite. Cinema é puro deleite. Toda forma de arte de algum jeito, em algum cantinho, é deleite de mente sã, de corpo ansioso pelo contato com seus desejos mais profundos. Entramos no universo do deleite, sem compromisso, sem responsabilidade e do empoderamento, que exige mais do que conhecimento, autoconhecimento, responsabilidade emocional e corporal. Artes do corpo vivo.

E aí, inevitavelmente, cai-se na história do sexo e do parto, da amamentação e da ejaculação, os leites masculino e feminino da vida. Não vem ao caso discutir se o leite do homem ao longo da história foi beneficiado e a mulher foi traída pela sociedade machista, até porque é tese mais do que batida e comprovada nas moedas acadêmicas. Sobre empoderamento se pode afirmar muita coisa, mas não que ele ocorra sem que todas as camadas do corpo e consequentemente do cérebro tenham sido minimamente tocadas. Então já podemos afirmar que empoderamento pode trazer deleite? Seria esse um deleite mais profundo, mais intenso e duradouro com outras conexões para a maternidade? Who knows!?

O emaranhado de tecidos de cada ser humano é próprio. Nos  afetou ou afetamos, algo mudou. A troca ou mesmo as dificuldades da troca e do contato com tudo o que está dentro de nós e tudo o que está fora do nosso corpo é única, não se transfere posto que na transferência cria-se algo novo. Por isso um professor ao dar uma aula para 25 alunos está produzindo 25 aulas diferentes. Partindo-se do princípio que nossas trocas diárias vão muito além de aulas, leituras, cinema, pessoas, Estados, política, ambiente, conflitos e amores, então chegamos ao caos que está fora. Ou seria dentro? Quem sabe a organização interna esteja totalmente dependente e massacrada pelo andamento do que está fora de nossos corpos!

São tantas as informações que vêm de fora do nosso corpo biológico  que já impedimos a troca, o fora nos invade, passamos a boicotar e adoecer o nosso ser vital, fortalecendo o eu cultural de forma desequilibrada, irracional e perversa. E óbvio, não estamos falando de possibilidades no cinema, mas de parte importante da publicidade, programas de televisão e o tal mercado do prazer consumista, que está aí providenciando formatações de como devemos nos comportar e adestrar nosso bicho interno, vestindo-o com capas e contracapas pasteurizadas de comportamento e aparências. O tempo todo.

O mercado consumista não se restringe às futilidades da moda, já faz tempo que invadiu o corpo humano com cirurgias mirabolantes, utilizadas de forma inútil. E claro que não estamos falando da cesariana como intervenção para salvar vidas de estimados 15% da população humana.
Entretanto podemos afirmar que quando um país tem um índice de cesarianas maior do que 60%, ele está desempoderado em sua relação com a saúde da mulher, a assistência está desempoderada e as mulheres também estão desempoderadas em relação aos seus desejos e suas vontades, seus saberes, seus traumas, seus corpos no mundo, corpos mais sociais e culturais do que biológicos,  já acostumados a serem mal atendidos, mal recebidos, mal vistos.

Para uma mulher parir o mais agradavelmente possível, o ambiente ideal deveria ser receptivo, amoroso, alegre, bem assistido. Se o que entendemos como bem assistido é estar em uma sala muito iluminada, cercada por profissionais com aventais e máscaras, equipamentos de última geração para que qualquer intercorrência seja imediatamente reparada, então esse é o nosso lugar de empoderamento, dentro de nossos conceitos adquiridos socialmente, culturalmente. É preciso trabalhar na conexão entre o "eu" visceral, que necessita calma, quietude, iluminação branda, solidão ou presença de pessoas íntimas escolhidas e esse "eu" cultural e social adquirido ao longo da história, que também necessita as luzes e os profissionais todos, os equipamentos todos. 


Por isso é perigoso vender um pacote de empoderamento e tenho certeza que Robbie Davis-Floyd quando usou o termo não estava querendo passar receita de parto domiciliar a perder de vista. Simplesmente porque não existe receita única para melhorar a comunicação entre o nosso ser visceral-ancestral e o cortical-moral. Infelizmente a cisão entre eles tem multiplicado as doenças da civilização como cânceres, síndromes, depressões. Na área da obstetrícia há um maior número de recém-nascidos prematuros com problemas cardiorrespiratórios em todos os países em que a cesariana virou lugar-comum. Sim, nossa civilização vai fundo, chega a agredir a vida recém-nascida. Nem vamos falar de vacinas dadas aos bebês nas primeiras horas de vida ou da praxe de separação logo após o nascimento, quando medir, pesar e banhar o bebê é considerado mais seguro do que dar a ele a chance de aprender a mamar nos primeiros momentos de vida, justamente quando seu corpo é mais capaz. Haja empoderamento para uma mulher sentir-se a pessoa que melhor pode cuidar do seu filhote nas primeiras horas de vida. Não deveria ser esse um direito fisiológico e biológico respeitado por quem presta assistência? E quem pariu Matheus não deveria saber embala-lo ao som do coração? Por quê não? O que impede a realização desse "pecado" de amar ao primeiro olhar, ao primeiro toque o próprio filho que acabou de sair da barriga? Muitas coisas, todas culturais; cultura médica, cultura familiar, cultura psíquica que estiveram ali naquele corpo durante longos anos, inscrevendo travas, medos, horrores, dramas existenciais.

A humanização do parto e do nascimento, movimento que inclui saberes e práticas de atendimento seguro e criticamente responsável ao sistema de atendimento tradicional das instituições públicas e privadas no mundo inteiro, empodera-se coletivamente agregando mulheres que tiveram sonhos de parturição destruídos pelo sistema obstétrico vigente, também aquelas que simplesmente gostaram de parir, as que tiveram partos depois de cesarianas, simpatizantes, médicas, médicos, enfermeiras e enfermeiros, obstetras e claro, as parteiras.
Empoderar-se coletivamente pode fazer parte ou não, apropriar-se da dança particular de raciocínios e sentimentos que envolvem a gestação, o parto e a amamentação é uma escolha de algo grau de responsabilidade. E é diante dessa palavra, responsabilidade, que desmorona o castelo de areias de um empoderamento faux.

Para algumas mulheres a escolha de um parto na água como ideal de parturição, porque ela viu 50 filmes no youtube dos mais lindos partos na água, pode virar um empoderamento falso, pior do que isso, boicotador do parto próprio dela, não acessado por intervenção cultural. Sim, até a inocente piscina de parto pode esconder o vilão cultural boicotando nosso ser vital, capaz de salvar e salvar-se na luta pela sobrevivência. Por essas e por outras não se pode dar receitas, apenas ferramentas que devem ser usadas de maneira pessoal e intransferível. Se a pessoa ganha um martelinho australiano da melhor qualidade com demonstração técnica e prática para uso delicado e especifico, mas decide bater na própria na cabeça até quebra-lo, isso passa a ser problema dela.

Enquanto isso, sofrem as amorosas doulas e parteiras com as clientes que não chegam lá. É da vida, era para ser assim, foi uma sequência de fatores, houve um motivo fisiológico para que no lugar do parto entrasse a cesariana salvando as vidas. É verdade, por tudo isso e também sempre por um milionésimo a menos de responsabilidade pessoal  fortalecedora do interno, de tal maneira que fosse possível derrotar o eu cultural no clímax do parto, com a expulsão do feto sentida como solução para dar cabo do corpo simbiótico.

“Não lembro”, é o que dizem as parturientes sobre falas, ações, fotos e detalhes trazidos pela assistência no pós-parto. O parto é fisiologicamente próprio, como qualquer outra capacidade fisiológica. Ninguém pode fazê-lo por aquele corpo feminino, naquele momento, daquele jeito. O ato de parir é foco puro em si mesmo, basta-se a si próprio.

Na humanização costuma-se soltar a mulher para parir, ninguém fala onde ela deve ficar, em que posição deve permanecer; presta-se auxilio, providencia-se uma almofada, um banho de chuveiro, alguma massagem, consolo, mas de jeito algum deita-se ou amarra-se a pessoa. É comum que a mulher escolha parir de quatro apoios, deitada de lado, em pé, de joelhos, acocorada, numa banheira com água, debaixo do chuveiro.

A mulher escolhe, empodera-se da sua dor, do seu desconforto, do seu medo da dor e anda, acomoda-se, desacomoda-se, incomoda a equipe, que deve servi-la, ajudá-la a não  atrapalhar a comunicação entre o que ela pensa, sente e o que precisa descobrir como fazer. Se a equipe atrapalha é ruim porque a parturiente pode perder-se para fora. Sempre vale lembrar que não são poucos os exemplos de partos bem-sucedidos em ambiente e atendimento adversos.

O parto no meio da rua, no frio, atendido por uma senhora que estava passando, é fruto de um corpo interno que sobrepujou o externo de maneira espetacular, é um corpo empoderado em relação ao ato de parir. Pode ser o corpo de uma dona que sofreu repressões de todo tipo, mas nenhuma delas foi capaz de abater a habilidade de expelir um feto maduro e são. Pode ser que essa dona não tenha a mesma pulsação vital para aleitar, praticar a entrega necessária que exige o aleitamento de um recém-nascido humano, bichano altamente dependente, que leva cerca de 8 meses para ficar em quatro apoios, mas isso são outros quinhentos, de outras mamas atávicas dentro de nós.
Essa mulher, que por acaso pariu na rua, ficou meses fazendo a interface entre o seu eu visceral-ancestral e o seu eu cortical-moral? Provavelmente não, porque esse exercício de comunicação pessoal é rotineiro, constante e sua espontaneidade é nata, genuína, não necessariamente adquirida. Para algumas mulheres, entretanto, as impressões culturais e sociais adquiridas, causam vazios entre o que desejam e o que vislumbram. 

É por isso que sou favorável ao parto em casa, mas não à moda do parto em casa. Parto em casa é um tipo de empoderamento de parto, mas não é o único possível. É para as mulheres que ficaram tanto tempo no youtube assistindo filmes de parto quanto em silêncio imaginando em que local se sentiriam melhor e mais seguras, sinceramente. Vale o mesmo para o polêmico parto desassistido. Mais comum na Europa do que no Brasil, ele é visto como perigoso pela assistência do mundo inteiro. É curioso até que a assistência se preocupe mais com os partos raríssimos e de índices de intercorrências insignificantes, do que com o aumento de uma massa de mulheres que migram para o parto assistido em casa, impulsionadas por movimentos externos aos seus corpos, seus saberes, suas crenças, muitas vezes bombardeadas por excesso de informações técnicas. Que prazer assistir uma jovem médica em trabalho de parto em casa sem querer saber a quantas estava em dilatação, sem toques, sem saber se estava com colo afinado ou não, apenas sentindo e trabalhando seu corpo, recebendo a transformação, sendo apenas uma mulher, uma fêmea viva prestes a dar à luz!

Pesquisa-se pouco sobre as crenças pessoais das mulheres no parto, seus sentimentos reais, tecidos por todo caldo cultural a que foram submetidas. Esse é um dos vazios nucleares de parte importante dos pensadores da humanização, muitas vezes mais voltados em esclarecer o quanto o parto humanizado é seguro com base em dados e estudos. Mais importantes para enfrentar o status quo de evidências ultrapassadas, baseadas em fatos obscuros e crenças médicas confortáveis, os argumentos meramente técnicos podem cair como um alimento indigesto para quem quer apenas parir e precisa mais do que tudo, digerir as próprias crenças pessoais. A revolta contra os sistema externo tem seu lugar no coletivo, mas do ponto de vista pessoal a revolta deve ser mais interna do que externa, mais focada nas crenças internas do que nas externas.


Parto é crença, o fato de estar classificado de N formas entre as evidências, com uma diversidade de estatísticas riquíssima nos últimos anos, parto é crença e crença é buraco, estratégia e solução. Uma mulher que acredita ser capaz de gestar um “bom bebê” está na frente da fila para parir um bebê saudável com suas próprias forças, sob sua responsabilidade. 




Conhecer o próprio corpo, limites da dor, sentimentos e estados psíquicos diante de adversidades é empoderamento. Praticar escolhas a partir dessa apropriação é a única coisa a ser feita. Informação e conhecimento histórico fazem parte de um pacote mais palatável do que informações e conhecimento estritamente técnicos.
Assim que se a pessoa leu de fonte segura que circular de cordão não enforca bebê, mas aos cinco meses de gestação ouve do seu médico que ela vai passar por cesariana porque o bebê está com o cordão enrolado no pescoço, ela deve saber o que pensar. Não, não sabe, porque o que ela não sabe de fato é o que sente e quem não sabe o que sente não sabe fazer porque o seu fazer já foi pensado. Tipo dependência de trash food.

Parto é crença porque parto é sentimento e sentimentos são hormônios. Tá, então dá lá uma ocitocina sintética para ela a fim de impulsionar a adrenalina. E aí as contrações aumentam, a ocitocina fica a serviço de se contrapor à adrenalina. É um parto feminista das antigas esse que leva ocitocina sintética porque o negócio dessa ocitocina é enfrentar a adrenalina, que muitas vezes ganha a parada: muita contração, pouca dilatação. A ocitocina natural que corre na mulher durante o parto é frágil, se ela não for frágil o bastante, a dilatação não ocorre.
Parto de muita ocitocina e pouca adrenalina é aquele com dilatação e pouca contração, arrastado, mas é fato que na hora final, no momento da expulsão, as duas se juntam, se entendem, se superam naturalmente. Mexer com essa dança aí pode ser uma opção, mas se um caquinho a mais for inadequado, vai ser dose para leoa nenhuma conseguir dar cabo da parturição.

E é fácil errar na intervenção química. Há mulheres que jamais deveriam levar ocitocina, como aquelas que têm contrações, mas dilatação lenta, aquelas cuja ocitocina natural vinha batalhando para dançar com a adrenalina de um jeito sinuoso. "Vem adrenalina, me traz essa contração que te mostro como me entrego, venha musculatura estriada, que eu te enlaço com meu sistema límbico solto, com minhas lágrimas, meu desejo de ver esse bebê aqui fora."

Contrações se buscam na moral, no exercício físico, no jogo de cintura bem colocado numa bola suíça, no agachamento, nas longas expirações que abraçam a dor possibilitando a dilatação. Dilatação bloqueada, parada é medo vestido de coragem. Dilatação lenta e progressiva é entrega, humildade, mas humildade nem de longe, vale ressaltar,  é “ensina-me a parir”.

Empoderar-se, apropriar-se do próprio corpo com todos os seus tecidos endodérmicos, ectodérmicos e mesodérmicos é a forma prática mais segura de parir, acompanhada ou não. Quem sou eu para condenar um desassistido, um parto com parteira, enfermeira ou com médico em um hospital se aquela mulher é capaz de juntar saberes sobre si mesma aos sentimentos em relação a ela mesma, ao feto e ao mundo!?

Mas sou gente grande para dizer que há muitos equívocos entre o que se diz e o que se entende, o que se pensa e sente-se em relação ao parto. E maior ainda para defender os bebês, que independentemente da forma como nascem, têm uma vida inteira de inscrições e reparações pela frente. 

*É jornalista e oficineira de Gravidez, Parto & Simbiose e Inscrições Corporais. Não é mestre, nem doutora e nem vai ser, a menos que Robbie Davis-Floyd, Melania Amorim, Simone Diniz ou alguma ótima aluna delas venha abrir uma linha de pesquisa na UFRGS.






terça-feira, 5 de junho de 2012

Flúor na água, ele ainda pinga em nossos corpos diariamente

http://www.avaaz.org/po/petition/Retirada_da_adicao_de_fluor_na_agua_tratada/?cLKYYab Sei que a insistência é grande, uma chatice ter que insistir, mas é preciso se queremos retirar o flúor da água potável. A petição acima é da Avaaz, já falei com uma procuradora aqui no RS, mas o que move essas montanhas é o exercício da cidadania. Amigos de Buena Leche, preciso de Ustedes.
Por Cláudia Rodrigues*
Em setembro de 2003, e lá se vão oito anos, uma petição internacional assinada por mais de 300 cientistas, químicos, técnicos e ambientalistas de 37 países, recomendou a revisão, esclarecimento e discussão sobre os benefícios e malefícios da adição à água encanada do flúor, íon utilizado como preventivo de cáries. Atendendo à petição, foram apresentados vários estudos comprovando os riscos para a saúde geral do corpo, especialmente dos ossos, devido à ingestão desse potente agente químico que quando ultrapassa apenas 1 ppm já causa problema até nos dentes. De lá para cá, muitas pesquisas vêm atestando ligações entre ingestão de flúor e doenças da modernidade. Autistas, por exemplo, não devem beber água fluoretada. Embora não haja confirmação de associação direta entre o flúor e a disfunção, sabe-se que ele potencializaria os sintomas do autismo. http://www.slweb.org/bibliography.html
O problema da adição de uma droga, venenosa ou não, na água de todas as pessoas, é uma questão delicada. Até que ponto as autoridades têm o direito de institucionalizar um tratamento medicamentoso na água para todos os cidadãos de todas as idades? Sabendo-se da ligação entre tal produto e desencadeamento de patologias, como e por quais razões se mantêm a mesmas diretrizes?
A retirada, diante das evidências, bate na trave econômica e política. Subproduto da indústria do alumínio, o íon, que mata um corpo adulto com apenas 5 gramas, não pode ser simplesmente jogado na natureza. A confiança inicial de que em doses ínfimas espalhadas pelas águas e alimentos no mundo, só faria bem aos dentes, evitando cáries, fez com que as políticas se consolidassem nesse gigantesco contrato comercial mundial, agora difícil de ser desfeito, especialmente em países em desenvolvimento que têm de um lado a população ignorante que aceita as decisões públicas e privadas sem questionamentos e de outro os concentradores de renda, que defendem o status quo a qualquer preço.
Alguns países, já a partir de 2003, outros antes, retiraram o flúor da água e passaram a adicioná-lo ao sal de cozinha, já que se consome menos sal do que água, o que reduziria o risco de ingestão excessiva do íon, cumulativo no corpo humano. Diante das evidências e para reparar a visão equivocada, baseada em pesquisas que só levavam em conta a prevenção de cáries, muitos países simplesmente não utilizam mais o uso sistêmico do flúor como preventivo de cáries; apostam na educação alimentar, higiene e no uso tópico, diretamente aplicado nos dentes. No Canadá, Áustria, Finlândia, Bélgica, Noruega, França e Cuba, alguns dos países que pararam de fluoretar suas águas, os índices de cáries continuaram caindo. Estudos sobre a ingestão do flúor, que a partir da década de 1970 também foi adicionado a alimentos, leites em pó e a alguns medicamentos, apontam malefícios graves e cumulativos para a saúde em geral. Os danos começam pela fluorose, que pode ser leve, causando manchas esbranquiçadas nos dentes ou grave, quando a dentição permanente fica com manchas marrons ou chega a ser perdida, esfacelando os dentes. Para que isso ocorra basta que crianças de zero a seis anos sejam expostas à ingestão diária do íon. O resultado visível só aparece nos dentes permanentes, já a ingestão de flúor na gravidez compromete a primeira dentição da criança.
O flúor no corpo- Quando ingerido o flúor é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do intestino delgado. Sabe-se que 50% dele é eliminado pelos rins e que a outra metade aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. Dentes e ossos, ao longo do tempo, passam a ficar deformados, surgem doenças e rachaduras. A hipermineralização dos tecidos conectivos dos ossos, da pele e da parede das artérias é afetada, os tecidos perdem a flexibilidade, se tornam rígidos e quebradiços. Para que tudo isso ocorra, segundo estudo de 1977 da National Academy of Sciences, dos EUA, o corpo humano precisaria absorver durante 40 anos apenas 2mg de flúor por dia. Parece difícil ingerir tanto, mas a fluorose já é um fato, uma doença moderna comprovada. Diversos estudos químicos atestam que o flúor é tão tóxico como o chumbo e, como este, cumulativo. Quanto mais velhos mais aumentamos a concentração de flúor nos nossos ossos, o que traz maiores riscos de rachaduras e doenças como a osteoporose (veja o primeiro link). A versão natural do flúor, encontrada na natureza, inclusive em águas minerais, peixes, chás e vegetais tem absorção de 25% pelo corpo humano, mas a fluoretação artificial é quase que totalmente absorvida. A maior parte se deposita nas partes sólidas do organismo, os ossos, e parte pequena vai para os dentes. Acredita-se que o fluoreto natural tenha algum papel importante para a saúde humana, mas isso ainda não foi completamente comprovado.
No Brasil a adição de flúor à água começou em 1953 em Baixo Guandu, ES, virou lei federal (6.050/74) e a campanha da fluoretação das águas, abraçada pela odontologia em parceria com sucessivos governos desde a década de 1960, continua em alta e tem como meta atingir 100% da água brasileira encanada. Águas potáveis também recebem flúor e algumas águas minerais possuem mais flúor em sua composição do que é recomendado para evitar a fluorose, que é algo situado entre 0,5 ppm e 1ppm, dependendo da temperatura ambiente, já que no verão ou em locais mais quentes se consome mais água. Os odontologistas que ainda defendem a adição do flúor na água potável e encanada afirmam ser a fluorose, que atingiu adolescentes nas últimas gerações com manchas brancas, um problema menor diante das evidências de redução das cáries, comprovadas por várias teses, elaboradas nos anos 1960 e 1970. Segundo eles esse método é o mais eficaz para reduzir índices de cárie que variam entre 20% e 60%. Da década de 1960 para cá, além da fluoretação das águas brasileiras, a população teve acesso maior às escovas de dentes, que tornaram-se mais baratas e populares. Na Suécia, por exemplo, onde não há fluoretação das águas, a cárie foi erradicada por meio da educação da população.
O flúor nos dentes- A redução de cáries por acesso ao flúor ocorre em decorrência de uma regulação do ph bucal, que teria maior constância via corrente sangüínea a partir da ingestão dessa substância. Após escovarmos os dentes com creme dental fluoretado, mantemos o ph ideal por cerca de duas horas. Apesar da campanha pró-ingestão de flúor, nenhum dentista defende a água fluoretada sem a dobradinha boa higiene e boa alimentação. Não há ph administrado pelo flúor que regule os detritos retidos entre os dentes; esses detritos desregulam o ph local, tornando-o mais ácido, o que favorece o surgimento de cáries e outras doenças periodontais. O açúcar torna o ph do sangue muito ácido e ao lado dele o outro grande vilão é o carboidrato, daí os odontologistas condenarem o abuso de doces, biscoitos e pães entre as refeições, especialmente os feitos com farinhas refinadas. Segundo Pedro Cordeiro, odontologista em Florianópolis, uma boa alimentação e uma escovação bem feita três vezes ao dia são métodos extremamente eficazes para a prevenção de cáries. “Recomendo aos pais que não usem creme dental fluoretado em crianças até cinco anos, pois é possível que engulam o creme acidentalmente ou voluntariamente, o que acarretaria a fluorose." Uso de fio dental, escovação com água e uma boa alimentação são suficientes para evitar o surgimento de cáries em qualquer idade, garante o dentista.
Medidas seguras- Na água potável encanada são recomendados no máximo 0,6 ppm de flúor, o que causa em crianças menores de sete anos uma fluorose mínima ao nascerem os dentes permanentes. “Acima de 1,5 ppm de flúor na água bebida por crianças menores de sete anos a fluorose é mais agressiva e pode causar má aparência nos dentes permanentes, mas existe tratamento para essa fluorose nos consultórios dentários”, garante o professor Jaime Cury, da Unicamp, defensor da adição de flúor à água. Em Cocalzinho, cidade de Santa Catarina, o flúor contido numa água natural, (1000 ppm) causou sérios danos aos dentes das crianças da região, com perdas parciais e totais dos dentes permanentes. Profissionais de várias partes do Brasil interessaram-se pelo caso, que foi documentado no final da década de 1980. Em 2004 a água mineral Charrua, do RS, apresentava 4ppm de flúor, o que pode resultar em fluorose avançada. O flúor está presente nos cremes dentais desde 1989, inclusive nos infantis, sendo hoje difícil encontrar no mercado convencional um creme dental para uso diário sem o íon. Normalmente os cremes dentais recebem de 1000 ppm a 1800 ppm de flúor. Não há pesquisa que ateste que o flúor aplicado, sem ingestão, cause qualquer mal, mas segundo vários estudos em odontopediatria os problemas de fluorose verificados em todo o Brasil nos últimos anos estão relacionados ao uso de creme dental porque crianças pequenas, além de serem extremamente vulneráveis à ingestão do flúor, engolem acidentalmente ou voluntariamente o creme dental. Uma das razões da ingestão voluntária, em crianças maiores de 3 anos, se deve ao sabor doce dos géis dentais infantis. A fluorose aparente nos dentes de crianças e adolescentes é uma realidade no Brasil.http://www.scielo.br/pdf/csp/v18n1/8138.pdf
Diferenças de miligramas são fatais- O argumento que sustenta a adição de flúor à água potável encanada e às águas engarrafadas baseia-se na defesa do controle da cárie infantil, mas quando as águas brasileiras começaram a ser fluoretadas em massa, em 1974, os cremes dentais não eram fluoretados e as informações sobre os hábitos de higiene e de alimentação iniciavam nas capitais e cidades maiores. Naquela época o flúor ainda não era adicionado a medicamentos, chicletes, biscoitos e leites em pó para bebês, que quando somados ao flúor da água ultrapassam o nível recomendado para lactantes em até 80%. O leite humano possui cerca de 00,1ppm de flúor, uma quantidade já bastante inferior à dos leites em pó, mais isso depende, obviamente, da alimentação da mãe. Durante a década de 1980, quando a fama do flúor como preventivo de cáries era inquestionável, muitas mulheres grávidas tiveram prescrição para tomar comprimidos que incluíam o íon na composição. Hoje já não se receitam suplementos de flúor para gestantes, pois as que tomaram enfrentaram problemas de fluorose na primeira dentição de seus filhos. Foi um teste “científico” que não deu certo, mas não foi o primeiro.
Flúor e o nazismo- As primeiras pesquisas com ingestão de flúor em humanos foram feitas em campos de concentração nazistas com o intuito de acalmar os prisioneiros, que ingeriam o íon a partir da água com até 1500 ppm de flúor. O resultado gerava uma espécie de apatetamento, os prisioneiros cumpriam melhor suas tarefas sem questioná-las. Com o mesmo objetivo o flúor é adicionado a alguns medicamentos psiquiátricos hoje em dia. Mais de 60 tranquilizantes largamente utilizados contêm flúor, como Diazepan, Valium e Rohypnol, da Roche, ligada à antiga I.G.Farben, indústria química que atuou a serviço da Alemanha nazista.http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/fluoridation.htm
Essa ligação histórica desperta brigas ferrenhas entre os adeptos da adição do flúor à água e os que são contra, esses últimos acusados pelos primeiros de fazer terrorismo e estabelecer o caos social em nome da nova ordem mundial, que está aí a questionar as bases que sustentam a economia.
A Associação Brasileira de Odontologia recomenda a adição de flúor à água potável como método preventivo fundamental para o Brasil, país grande, de população pobre e desinformada sobre os hábitos de higiene e de alimentação. Segundo o professor Jaime Cury,que passou mais de 20 anos estudando a prevenção da cárie, o flúor adicionado à água tem uma importância social inquestionável. “Gostaria de ser o primeiro a anunciar que o flúor não precisa mais ser adicionado à água, mas o povo brasileiro, a maior parte da população, a que é pobre e desinformada, não escova os dentes corretamente, não pode cuidar da alimentação e é beneficiada pela adição de flúor na água.”
Para ele, “a fluorose leve que não causa mal-estar social, nem deveria ser considerada um problema ou doença porque as crianças com fluorose leve, manchinhas brancas, têm dentes mais fortes.”
Questões políticas- A ciência odontológica vê a fluorose média ou grave como problema principal em conseqüência da adição de flúor à água, mas médicos, químicos e toxicologistas afirmam que a fluorose é apenas o começo de um problema espalhado por todos os ossos do corpo, sobrecarregando a glândula pineal e acarretando outras conseqüências na saúde devido a alteração do funcionamento bioquímico. Eles alertam que as doenças podem demorar anos para surgir, pois o flúor é cumulativo. Nunca houve uma denúncia formal ligando o flúor à indústria de alumínio; as pesquisas feitas por químicos e neurologistas focam exclusivamente os danos do íon à saúde humana. Polêmica à parte, algo não está sendo levado em conta: é praticamente impossível encontrar água que não tenha sofrido adição de flúor. Por uma convenção entre sucessivos governos, a ciência odontológica e a indústria de alumínio, o brasileiro perdeu o direito de beber água sem o aditivo.


*publicado originalmente no sul21

quarta-feira, 28 de março de 2012

Água fluoretada, uma herança nazista

Se você está consciente do problema e deseja manifestar-se contra a adição de flúor na água de abastecimento da população brasileira, existe uma petição pública. Leva menos de 3 min para assinar.


Por Cláudia Rodrigues* 


Em setembro de 2003, e lá se vão oito anos, uma petição internacional assinada por mais de 300 cientistas, químicos, técnicos e ambientalistas de 37 países, recomendou a revisão, esclarecimento e discussão sobre os benefícios e malefícios da adição à água encanada do flúor, íon utilizado como preventivo de cáries. Atendendo à petição, foram apresentados vários estudos comprovando os riscos para a saúde geral do corpo, especialmente dos ossos, devido à ingestão desse potente agente químico que quando ultrapassa apenas 1 ppm já causa problema até nos dentes. De lá para cá, muitas pesquisas vêm atestando ligações entre ingestão de flúor e doenças da modernidade. Autistas, por exemplo, não devem beber água fluoretada. Embora não haja confirmação de associação direta entre o flúor e a disfunção, sabe-se que ele potencializaria os sintomas do autismo. http://www.slweb.org/bibliography.html

O problema da adição de uma droga, venenosa ou não, na água de todas as pessoas, é uma questão delicada. Até que ponto as autoridades têm o direito de institucionalizar um tratamento medicamentoso na água para todos os cidadãos de todas as idades? Sabendo-se da ligação entre tal produto e desencadeamento de patologias, como e por quais razões se mantêm a mesmas diretrizes?
A retirada, diante das evidências, bate na trave econômica e política. Subproduto da indústria do alumínio, o íon, que mata um corpo adulto com apenas 5 gramas, não pode ser simplesmente jogado na natureza. A confiança inicial de que em doses ínfimas espalhadas pelas águas e alimentos no mundo, só faria bem aos dentes, evitando cáries, fez com que as políticas se consolidassem nesse gigantesco contrato comercial mundial, agora difícil de ser desfeito, especialmente em países em desenvolvimento que têm de um lado a população ignorante que aceita as decisões públicas e privadas sem questionamentos e de outro os concentradores de renda, que defendem o status quo a qualquer preço.

Alguns países, já a partir de 2003, outros antes, retiraram o flúor da água e passaram a adicioná-lo ao sal de cozinha, já que se consome menos sal do que água, o que reduziria o risco de ingestão excessiva do íon, cumulativo no corpo humano. Diante das evidências e para reparar a visão equivocada, baseada em pesquisas que só levavam em conta a prevenção de cáries, muitos países simplesmente não utilizam mais o uso sistêmico do flúor como preventivo de cáries; apostam na educação alimentar, higiene e no uso tópico, diretamente aplicado nos dentes. No Canadá, Áustria, Finlândia, Bélgica, Noruega, França e Cuba, alguns dos países que pararam de fluoretar suas águas, os índices de cáries continuaram caindo. Estudos sobre a ingestão do flúor, que a partir da década de 1970 também foi adicionado a alimentos, leites em pó e a alguns medicamentos, apontam malefícios graves e cumulativos para a saúde em geral. Os danos começam pela fluorose, que pode ser leve, causando manchas esbranquiçadas nos dentes ou grave, quando a dentição permanente fica com manchas marrons ou chega a ser perdida, esfacelando os dentes. Para que isso ocorra basta que crianças de zero a seis anos sejam expostas à ingestão diária do íon. O resultado visível só aparece nos dentes permanentes, já a ingestão de flúor na gravidez compromete a primeira dentição da criança.  

O flúor no corpo- Quando ingerido o flúor é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do intestino delgado. Sabe-se que 50% dele é eliminado pelos rins e que a outra metade aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. Dentes e ossos, ao longo do tempo, passam a ficar deformados, surgem doenças e rachaduras. A hipermineralização dos tecidos conectivos dos ossos, da pele e da parede das artérias é afetada, os tecidos perdem a flexibilidade, se tornam rígidos e quebradiços. Para que tudo isso ocorra, segundo estudo de 1977 da National Academy of Sciences, dos EUA, o corpo humano precisaria absorver durante 40 anos apenas 2mg de flúor por dia. Parece difícil ingerir tanto, mas a fluorose já é um fato, uma doença moderna comprovada. Diversos estudos químicos atestam que o flúor é tão tóxico como o chumbo e, como este, cumulativo. Quanto mais velhos mais aumentamos a concentração de flúor nos nossos ossos, o que traz maiores riscos de rachaduras e doenças como a osteoporose (veja o primeiro link). A versão natural do flúor, encontrada na natureza, inclusive em águas minerais, peixes, chás e vegetais tem absorção de 25% pelo corpo humano, mas a fluoretação artificial é quase que totalmente absorvida. A maior parte se deposita nas partes sólidas do organismo, os ossos, e parte pequena vai para os dentes. Acredita-se que o fluoreto natural tenha algum papel importante para a saúde humana, mas isso ainda não foi completamente comprovado. 

No Brasil a adição de flúor à água começou em 1953 em Baixo Guandu, ES, virou lei federal (6.050/74) e a campanha da fluoretação das águas, abraçada pela odontologia em parceria com sucessivos governos desde a década de 1960, continua em alta e tem como meta atingir 100% da água brasileira encanada. Águas potáveis também recebem flúor e algumas águas minerais possuem mais flúor em sua composição do que é recomendado para evitar a fluorose, que é algo situado entre 0,5 ppm e 1ppm, dependendo da temperatura ambiente, já que no verão ou em locais mais quentes se consome mais água. Os odontologistas que ainda defendem a adição do flúor na água potável e encanada afirmam ser a fluorose, que atingiu adolescentes nas últimas gerações com manchas brancas, um problema menor diante das evidências de redução das cáries, comprovadas por várias teses, elaboradas nos anos 1960 e 1970. Segundo eles esse método é o mais eficaz para reduzir índices de cárie que variam entre 20% e 60%. Da década de 1960 para cá, além da fluoretação das águas brasileiras, a população teve acesso maior às escovas de dentes, que tornaram-se mais baratas e populares. Na Suécia, por exemplo, onde não há fluoretação das águas, a cárie foi erradicada por meio da educação da população.

O flúor nos dentes- A redução de cáries por acesso ao flúor ocorre em decorrência de uma regulação do ph bucal, que teria maior constância via corrente sangüínea a partir da ingestão dessa substância. Após escovarmos os dentes com creme dental fluoretado, mantemos o ph ideal por cerca de duas horas. Apesar da campanha pró-ingestão de flúor, nenhum dentista defende a água fluoretada sem a dobradinha boa higiene e boa alimentação. Não há ph administrado pelo flúor que regule os detritos retidos entre os dentes; esses detritos desregulam o ph local, tornando-o mais ácido, o que favorece o surgimento de cáries e outras doenças periodontais. O açúcar torna o ph do sangue muito ácido e ao lado dele o outro grande vilão é o carboidrato, daí os odontologistas condenarem o abuso de doces, biscoitos e pães entre as refeições, especialmente os feitos com farinhas refinadas. Segundo Pedro Cordeiro, odontologista em Florianópolis, uma boa alimentação e uma escovação bem feita três vezes ao dia são métodos extremamente eficazes para a prevenção de cáries. “Recomendo aos pais que não usem creme dental fluoretado em crianças até cinco anos, pois é possível que engulam o creme acidentalmente ou voluntariamente, o que acarretaria a fluorose." Uso de fio dental, escovação com água e uma boa alimentação são suficientes para evitar o surgimento de cáries em qualquer idade, garante o dentista.

Medidas seguras- Na água potável encanada são recomendados no máximo 0,6 ppm de flúor, o que causa em crianças menores de sete anos uma fluorose mínima ao nascerem os dentes permanentes. “Acima de 1,5 ppm de flúor na água bebida por crianças menores de sete anos a fluorose é mais agressiva e pode causar má aparência nos dentes permanentes, mas existe tratamento para essa fluorose nos consultórios dentários”, garante o professor Jaime Cury, da Unicamp, defensor da adição de flúor à água. Em Cocalzinho, cidade de Santa Catarina, o flúor contido numa água natural, (1000 ppm) causou sérios danos aos dentes das crianças da região, com perdas parciais e totais dos dentes permanentes. Profissionais de várias partes do Brasil interessaram-se pelo caso, que foi documentado no final da década de 1980. Em 2004 a água mineral Charrua, do RS, apresentava 4ppm de flúor, o que pode resultar em fluorose avançada. O flúor está presente nos cremes dentais desde 1989, inclusive nos infantis, sendo hoje difícil encontrar no mercado convencional um creme dental para uso diário sem o íon. Normalmente os cremes dentais recebem de 1000 ppm a 1800 ppm de flúor. Não há pesquisa que ateste que o flúor aplicado, sem ingestão, cause qualquer mal, mas segundo vários estudos em odontopediatria os problemas de fluorose verificados em todo o Brasil nos últimos anos estão relacionados ao uso de creme dental porque crianças pequenas, além de serem extremamente vulneráveis à ingestão do flúor, engolem acidentalmente ou voluntariamente o creme dental. Uma das razões da ingestão voluntária, em crianças maiores de 3 anos, se deve ao sabor doce dos géis dentais infantis. A fluorose aparente nos dentes de crianças e adolescentes é uma realidade no Brasil. http://www.scielo.br/pdf/csp/v18n1/8138.pdf

Diferenças de miligramas são fatais- O argumento que sustenta a adição de flúor à água potável encanada e às águas engarrafadas baseia-se na defesa do controle da cárie infantil, mas quando as águas brasileiras começaram a ser fluoretadas em massa, em 1974, os cremes dentais não eram fluoretados e as informações sobre os hábitos de higiene e de alimentação iniciavam nas capitais e cidades maiores. Naquela época o flúor ainda não era adicionado a medicamentos, chicletes, biscoitos e leites em pó para bebês, que quando somados ao flúor da água ultrapassam o nível recomendado para lactantes em até 80%. O leite humano possui cerca de 00,1ppm de flúor, uma quantidade já bastante inferior à dos leites em pó, mais isso depende, obviamente, da alimentação da mãe.  Durante a década de 1980, quando a fama do flúor como preventivo de cáries era inquestionável, muitas mulheres grávidas tiveram prescrição para tomar comprimidos que incluíam o íon na composição. Hoje já não se receitam suplementos de flúor para gestantes, pois as que tomaram enfrentaram problemas de fluorose na primeira dentição de seus filhos. Foi um teste “científico” que não deu certo, mas não foi o primeiro.

Flúor e o nazismo- As primeiras pesquisas com ingestão de flúor em humanos foram feitas em campos de concentração nazistas com o intuito de acalmar os prisioneiros, que ingeriam o íon a partir da água com até 1500 ppm de flúor. O resultado gerava uma espécie de apatetamento, os prisioneiros cumpriam melhor suas tarefas sem questioná-las. Com o mesmo objetivo o flúor é adicionado a alguns medicamentos psiquiátricos hoje em dia. Mais de 60 tranquilizantes largamente utilizados contêm flúor, como Diazepan, Valium e Rohypnol, da Roche, ligada à antiga I.G.Farben, indústria química que atuou a serviço da Alemanha nazista. http://www.theforbiddenknowledge.com/hardtruth/fluoridation.htm
Essa ligação histórica desperta brigas ferrenhas entre os adeptos da adição do flúor à água e os que são contra, esses últimos acusados pelos primeiros de fazer terrorismo e estabelecer o caos social em nome da nova ordem mundial, que está aí a questionar as bases que sustentam a economia.

A Associação Brasileira de Odontologia recomenda a adição de flúor à água potável como método preventivo fundamental para o Brasil, país grande, de população pobre e desinformada sobre os hábitos de higiene e de alimentação. Segundo o professor Jaime Cury,que passou mais de 20 anos estudando a prevenção da cárie, o flúor adicionado à água tem uma importância social inquestionável. “Gostaria de ser o primeiro a anunciar que o flúor não precisa mais ser adicionado à água, mas o povo brasileiro, a maior parte da população, a que é pobre e desinformada, não escova os dentes corretamente, não pode cuidar da alimentação e é beneficiada pela adição de flúor na água.”
Para ele, “a fluorose leve que não causa mal-estar social, nem deveria ser considerada um problema ou doença porque as crianças com fluorose leve, manchinhas brancas, têm dentes mais fortes.” 

Questões políticas- A ciência odontológica vê a fluorose média ou grave como problema principal em conseqüência da adição de flúor à água, mas médicos, químicos e toxicologistas afirmam que a fluorose é apenas o começo de um problema espalhado por todos os ossos do corpo, sobrecarregando a glândula pineal e acarretando outras conseqüências na saúde devido a alteração do funcionamento bioquímico. Eles alertam que as doenças podem demorar anos para surgir, pois o flúor é cumulativo.  Nunca houve uma denúncia formal ligando o flúor à indústria de alumínio; as pesquisas feitas por químicos e neurologistas focam exclusivamente os danos do íon à saúde humana. Polêmica à parte, algo não está sendo levado em conta: é praticamente impossível encontrar água que não tenha sofrido adição de flúor. Por uma convenção entre sucessivos governos, a ciência odontológica e a indústria de alumínio, o brasileiro perdeu o direito de beber água sem o aditivo.



*publicado originalmente no sul21

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Comida: vide a bula




 Cláudia Rodrigues

Vegetarianos ou carnívoros convictos não precisam mais brigar para saber quem está comendo melhor. O maior problema da alimentação contemporânea não se restringe às dietas específicas e embora excessos e radicalismos já venham acoplados a riscos maiores pela falta de parcimônia; doenças freqüentes e cada vez mais comuns como diabetes, obesidade, hipertensão e desencadeamentos de patologias ainda mais graves associadas a estas, estão diretamente vinculadas aos componentes utilizados nos alimentos industrializados.
Com nomes pouco compreensíveis para o consumidor e muitas vezes em letras minúsculas nos rótulos enfeitados por palavras bem maiores como “saudável”, “natural” e “integral”, esses elementos adicionados aos alimentos industrializados podem ser nocivos à saúde humana, especialmente com uso diário e abusivo.
 
O acesulfame-K
Foi aprovado pelo FDA em 1988 para ser usado em gomas de mascar, bebidas
reconstituídas, café e chá instantâneo, gelatina, flans e cremes, e para ser
vendido separadamente em pacotes. Em 1988, sua utilização foi permitida em uma
ampla gama de produtos alimentícios, como refrigerantes, por exemplo. Esse
adoçante artificial resulta da combinação química de carbono, nitrogênio,
oxigênio, enxofre e potássio.
É duzentas vezes mais doce que o açúcar. Nos portadores de diabetes severa e
entre os que tremem diante de uma colher de chá de açúcar, preenche um
importante nicho comercial. Além disso, ao contrário do aspartame, mantém a
doçura quando aquecido. Por isso é encontrado em tantos produtos de
confeitaria.
O Center for Science in the Public Interest observou que os testes de segurança
do acesulfame-K realizados na década de 1970 foram muito mal elaborados.
Estudos posteriores sugerem que essa substância química produz
câncer. O acesulfame-K é desmembrado em outra substância química, chamada
acetoacetamida, e soluções com 1 a 5% desse produto acrescentado à dieta
durante 3 meses, é o suficiente para causar tumores de tireóides em animais
usados em experimentos de laboratório. Com base nesses e em outros dados, o FDA
vem sendo repetidamente solicitada a reconsiderar sua margem de segurança.



Ácido Fosfórico


O ácido fosfórico pode ser produzido de 2 maneiras: a partir do processo
úmido ou do processo térmico (forno). No processo úmido, o minério de
fosfato minado é tratado com ácido sulfúrico e detergentes. No outro método,
o fósforo é reaquecido até se liquefazer e queimar, quando,
finalmente, adquire nova forma: o pentóxido de fósforo (P2O5). É misturado ao
ácido fosfórico em baixas concentrações e, depois de um processo de
purificação é armazenado para processamento futuro. O ácido fosfórico é
corrosivo para o concreto, para a maioria dos metais e para os tecidos.
É usado para acidificar o sabor dos refrigerantes, dos laticínios congelados,
dos produtos de padaria, das balas e dos produtos de queijo. É usado também
como sequestrante em tônicos capilares, esmaltes e substâncias para refrescar
a pele. Por mais estranho que seja, foi acrescentado recentemente à água
potável em Winnipeg - não porque a água potável necessitasse de um pouco
mais de travo, mas como forma de contornar o problema do acúmulo de chumbo nos canos dos esgotos.
Aparentemente, com o tempo, o chumbo se acumula nos canos e o
ácido fosfórico retarda sua reação e liberação na água.
Pode retirar o cálcio, excretando-o do organismo. Quando o organismo perde
cálcio, retira o que precisa dos ossos. Ocorre a "Síndrome dos ossos
quebradiços" em mulheres, associada ao consumo de refrigerantes - essa
doença é considerada resultado da perda de cálcio devido ao ácido fosfórico
encontrado nos refrigerantes.
Os fosfatos são essenciais para a saúde, sobretudo o fósforo. As
vitaminas do complexo B, niacina e riboflavina, nem são digeridas na ausência
do fósforo. Ele também é necessário para a formação de ossos, dentes e
músculos saudáveis e faz parte do DNA e RNA. O fósforo regula o metabolismo
da energia, ajuda o organismo a absorver glicose e controla o equilíbrio do pH
no organismo.
Para obter fosfatos basta ingerir alimentos como peixes, ovos, aves,
feijão e nozes.



Aspartame 

É uma substância química inventada acidentalmente no final da década de
1960. É de 180 a 200 vezes mais doce que o açúcar. O aspartame é sintetizado
a partir da 1-fenilalanina e do L-ácido aspártico.

Foi aprovado pela FDA, mas retirado do mercado quando se descobriu
que a Searle, seu fabricante, ocultara indícios de danos gerados pelo produto.
Sua redenção veio alguns anos depois, por meio de ligações políticas do CEO
da empresa, Donald Rumsfeld. Hoje é usado como alternativa para o açúcar sob
a forma de pó e como um dos adoçantes mais comuns das bebidas.

Quando aquecido a 30 graus Celsius o aspartame se degrada, transformando- se em
ácido fórmico, metanos e formaldeído. Os efeitos químicos relatados do
aspartame foram tonteira, alucinações, urticária e dores de cabeça. Os
fenilcetonúricos, bem como gestantes e lactantes devem evitá-lo. Pessoas
sensíveis ao glutamato monossódico também podem ser sensíveis ao aspartame.
John Olney observou recentemente no Journal of Neuropathology and
Experimental Neurology que "o adoçante artificial aspartame é um
candidato promissor para explicar o recente aumento na incidência e no grau de
malignidade dos tumores cerebrais. Entre os indícios dos males do aspartame,
estão a altíssima incidência de tumores cerebrais em camundongos aos quais se
administrou aspartame, comparados à inexistência de tumores no grupo de
controle e a recente descoberta de que a molécula do aspartame tem potencial
mutagênico".
O aspartame provoca a ira dos cientistas que defendem veementemente seu caráter
letal; no entanto, um grupo também numeroso insiste que a substância é
absolutamente benígna.


BHA e BHT

Butil-hidroxianisol (BHA) e butil-hidroxitoluen o (BHT) são compostos
fenólicos que existem como cera sólida e são sintetizados pela reação do
p-cresol com o isobuteno.

Essas substâncias químicas são adicionadas aos alimentos como conservantes, a
fim de impedir a rancificação da gordura. São usadas para o mesmo propósito
em cosméticos, produtos de borracha, produtos derivados do petróleo,
termoplásticos e materiais de embalagem. Nos rótulos dos alimentos, diz-se que
são usados para "manter o produto fresco". Seu uso porém é totalmente
desnecessário. Essas substâncias podem ser substituídas por antioxidantes
mais seguros, como a vitamina E, ou simplesmente não serem usadas.


Por ser lipossolúvel, o BHT é armazenado nos tecidos por um longo período de
tempo. Essas duas substâncias químicas também interferem na coagulação
sangüínea e a International Agency for Research on Cancer as considera
carcinogênicas. Alguns dados científicos mostraram que causam câncer em
alguns casos,mas não em outros. Porém o Dr. Saito e alguns colegas relataram
muito claramente no periódico Anticancer Research que BHA e BHT produzem grande
"citotoxidade (gera câncer) e indução de apoptose (causa morte celular)".


Bisfenol-A (BPA)

O bisfenol é um composto utilizado na fabricação do policarbonato para obter um tipo de plástico rígido e transparente. Além de ser usado em embalagens de alimentos é usado no revestimento de latas para evitar a ferrugem. As ligações químicas entre as moléculas de BPA são instáveis e no caso do aquecimento ou congelamento do plástico, a contaminação é maior. Mamadeiras de plástico, copos infantis, matérias médicos e dentários, garrafas reutilizáveis de água e garrafões contêm BPA. É tóxico mesmo em baixas quantidades e foi aprovado por pesquisas patrocinadas pela indústria que o utiliza. Provoca interferência no sistema endócrino e mimetiza hormônios, sendo mais prejudicial ao sistema reprodutivo.
Fetos e bebês são os mais vulneráveis aos efeitos do bisfenol. Estudos independentes da indústria realizados nos últimos anos associaram o bisfenol-A a uma maior incidência de obesidade, cânceres de mama e próstata, puberdade precoce ou tardia, anormalidades do fígado em adultos e problemas cerebrais e hormonais em crianças.




domingo, 16 de agosto de 2009

Oink oink, qual é a sua?

Por Cláudia Rodrigues

Último texto sobre a gripe Fui à praça levar a pequena para divertir-se ao sol. Sim, hoje fez mais um dia de sol e calor e lá se vai o veranico de agosto. A volta da chuva e da enésima frente fria desse inverno, o mais rigoroso desde 1965, estava prevista para hoje, mas chegará amanhã. Segundona com chuva na volta às aulas. Detesto frio, só fico realmente feliz sob sol de 30ºC, mas curiosamente o frio não faz mal a minha saúde. Encontrei uma conhecida de óculos escuros, a-pa-vo-ra-da. Mais uma que amanhã não liberará o filho para a aula. Diz que vai esperar o quanto for preciso, repetiu feito uma metralhadora as últimas notícias do jornal e validou-as citando a mãe, enfermeira de um grande hospital da capital. Com o rosto transtornado pelo pânico, ela não quis saber que a gripe comum no inverno passado matou alguns milhares de pessoas, enquanto a suína, já no final do inverno matou algumas centenas. Não acredita em dados, sofre de certeza panicosa, fala de uma conspiração dos órgãos oficiais de saúde, que estariam burlando os números. Citou uma amiga que está em coma induzido, com várias complicações, infecção generalizada e mais meia dúzia de problemas em decorrência da gripe. Gaguejei: é, ninguém está livre, mas entrar em pânico... Ela cortou: já morreu alguém conhecido seu? Eu: não. Ela: pois já morreu um conhecido meu, fora essa amiga que está em coma induzido; é uma ignorância não levar isso a sério, é uma pandemia, uma pandemia. Desisti de argumentar, não iria eu chamá-la de ignorante em troco, nesses casos o melhor é dar o prefixo e sair do ar, mas ainda estava a fim de criar um clima ameno para despedir-me amigavelmente, já arrependidíssima da abordagem, mas era impossível, ela falava com as sobrancelhas arqueadas, os lábios finos, fascinada pelo assunto, sem espaço para tréguas. Emporcalhou-se a falar sobre máscaras, que a mãe, o pai ou não sei quem deu a ela 6 tipos diferentes, uma que vale inclusive por nove horas. Tive vontade de rir ao imaginar as pessoas todas de máscaras no novo mundo suíno, mas disfarcei. Olhei as crianças brincando, minha filha descalça, de camisetinha, o dela vestido de moleton de inverno e tênis. Como diriam os adolês, estou em outra vibe e não falo mais de gripe. Vou continuar cultivando diferenças, investindo em tolerância, mas quando o assunto for gripe sairei à francesa.

sábado, 15 de agosto de 2009

A gripe da hora

Por Cláudia Rodrigues

Gripe mexicana, suína, influenza A, H1N1 A gripe da hora, o vírus vilão da vez, os efeitos colaterais do tamiflu, a arrecadação de renda para a vacina, a guerra entre os laboratórios para produzir a vacina, a vacina que não deverá vir sem efeitos colaterais. Tenho medo mesmo é de quem tem medo da gripe. Um amigo mandou uma mensagem: não vai mandar os filhos para a escola até início de setembro, está assustado porque tem dados: na Santa Casa de Porto Alegre morrem de duas a quatro crianças por dia com sintomas da gripe A antes mesmo do resultado do teste. Ora, na Santa Casa de Porto Alegre todo ano nessa época morrem de duas a quatro crianças por problemas respiratórios. Segundo ele sou do contra por não ter medo da gripe. Não tenho mesmo. Acabei de voltar de uma viagem aérea em que levei minha filha de 7 anos. Ela teve febre e todos os sintomas da gripe por 48 horas, se recuperou bravamente com chás, frutas e minha presença. Não tomou antitérmicos, antibióticos e muito menos tamiflu. Felizmente estávamos hospedadas na casa de uma amiga que também acredita em saúde. Ela fez questão de dar amor, aconchego e sequer separou a filha dela, de apenas 3 anos, da minha. Ela pegou, supostamente, o mesmo vírus, a filhinha e o marido também. Passam bem, obrigada. Sou do tipo que só leva filho para hospital se sentir a morte de perto ou por lesões acidentais graves. Em 18 anos de vida materna fui a hospital por queda de cavalo (uma vez), corte profundo após uma queda (uma vez). Dos meus três filhos apenas um tomou antibiótico duas vezes na vida, quando nasceu, por infecção generalizada contraída na maternidade, e outra aos seis anos, por uma pneumonia que não respondeu a cuidados caseiros. Antitérmico, esse remédio feito para acalentar os corações das mães que não suportam ver os filhos prostrados; jamais tomaram. Sou uma pessoa de sorte? Não creio, seria sorte demais, não me vejo livre de nada, mas também não vejo liberdade em apostar em remédio como medida de segurança para continuarem vivos. Acho isso bizarro. Sou do tipo que não faz exames de fezes e nem de sangue para verificar se a saúde das crianças está ok. Sou do tipo que lê Theo Colborn e Robert Mendelson, não sou esotérica e acho radical, para não dizer cruel, acreditar que um bebê quando nasce deve ser separado imediatamente da mãe para ser vacinado. Acho anormal que o ser humano tenha chegado a esse ponto, o de acreditar que um filhote humano saudável que acabou de nascer esteja mais seguro aos cuidados da linha de montagem hospitalar. Acho anormal apostar na cesariana eletiva, bem como no desmame precoce e na introdução de leite de outro animal, que não o humano, para filhotes de humanos. Acredito no corpo, na saúde, no sistema imunológico humano. Preocupam-me sim, os caminhos tecnicistas que viemos percorrendo. A má qualidade da água, o abuso de radiação, inclusive pela medicina, os excessos da comida industrializada e principalmente, como se isso já não bastasse e já não atingisse nossa saúde, a agregação de medicamentos e exames desnecessários. Tamiflu não é um medicamento inofensivo, como a vacina também não será, mas muita gente, sem necessidade, sem sintomas, já está na fila para ser medicado, implorando aos médicos uma receitinha. E conseguirão. No Brasil é fácil conseguir receitas e até cirurgias desnecessárias. A cesariana é apenas uma delas, feita em larga escala. A prescrição de leites artificiais para bebês recém-nascidos vinga em nosso país, uma das maiores plataformas mundiais da medicina tecnicista. Sou humanista e como humanista, acredito na vida como um bem a ser preservado e na morte como algo natural, que ocorrerá por doença ou acidente. Talvez amanhã, mas certamente sem medo de viver e de correr o prazeroso risco de estar viva por mais um dia.

domingo, 9 de agosto de 2009

Camille Claudel, que morreu num hospital psiquiátrico

FOLHA & PSIQUIATRIA, mais uma matéria-press-release

Cláudia Rodrigues * 

"Diagnóstico psiquiátrico exige conversas" é o título da matéria de saúde publicada pela Folha de S. Paulo no domingo (12/9). No caso da maior interessada pela publicação da matéria, a Associação Brasileira de Psiquiatria, a tal exigência de conversa se refere aos pacientes psiquiátricos e suas famílias, que deveriam se comunicar melhor com os psiquiatras, o que melhoraria, entre outras coisas, o acerto do diagnóstico e da medicação. A ABP está em campanha, segundo publica a Folha -talvez abrindo a campanha-, para desmistificar essa especialidade da medicina e seus procedimentos, fazendo com que "a ida ao consultório psiquiátrico tenha a mesma conotação de uma ida ao cardiologista, por exemplo". A conversa que falta entre pacientes, parentes e médicos também faltou na "reportagem", que não ouviu pacientes e parentes nem tentou entender, por meio da história, as razões que levam a ABP a lançar tal campanha. O texto revela que a própria Organização Mundial de Saúde considera difícil definir o que são transtornos psiquiátricos, e não deixa de ponderar que a concordância entre dois especialistas apresenta médias entre 0,7 e 0,9, mesma faixa da diabetes e da hipertensão.
Foi importante fazer a ponderação para salvar a matéria-press-release, e fundamental ter desviado do problema medicamentos/laboratórios/capacidade reflexiva do paciente. Isso foi feito com muita elegância, porque a maior autoridade entrevistada afirma que nem sempre os medicamentos são necessários, o que talvez possa ter derrubado a questão que sequer saiu da boca do repórter, ou pelo menos não apareceu na matéria. Uma outra autoridade da psicologia endossa o que diz o psiquiatra, minimizando a questão dos medicamentos psiquiátricos; assim nada foi referido em relação à farta influência desses medicamentos no mercado dos laboratórios e nem sobre os efeitos colaterais pouco difundidos, já que se confundem facilmente com sintomas dos doentes mentais. O texto, muito animador para a ABP, puxa ainda uma bombadinha a mais para começarmos a desconfiar que a dor crônica nas costas do vovô pode ser um distúrbio psiquiátrico, num outro quadrinho sob o título "Idosos podem ter sintomas diferentes".

Saúde pública-  Quase uma página inteira, a matéria não deixa de apresentar dados mundiais das categorias de transtornos mentais e comportamentais ao estilo frio e pouco humanista do jornal. Só vendo para acreditar que depois de toda essa melaceira, nenhum freqüentador ou ex-freqüentador de consultório psiquiátrico tenha sido entrevistado. Nenhunzinho. Tomadores de psicoativos ou ex-tomadores... Tá bom, digamos que o preconceito com os doentes mentais seja tão grande que nem passou pela cabeça do editor pautar o repórter para ouvir o outro lado do que diz o médico: o que diz o paciente. Bem, poderia haver a fala dos parentes ou de entidades como a do Movimento Antimanicomial, para informar ao leitor as razões que fizeram e fazem a sociedade discriminar a psiquiatria e os psiquiatras.
E não seria preciso falar dos sanatórios e maus-tratos, que ainda existem e ajudaram tanto a difamar esse ofício, embora um quadrinho histórico só acrescentaria se a matéria fosse um produto jornalístico em primeira instância, como leva o leitor a acreditar. Há fatos modernos que impulsionam a psiquiatria para o mesmo e velho eixo, de um jeito mais refinado, é claro: como investimentos maciços dos laboratórios em novos medicamentos psiquiátricos. O paciente com problemas mentais é frágil porque nem sempre pode responder por si; a família dos pacientes se sente também muito fragilizada diante de um surto, e a verdade é que jamais poderia ter sido desprezada pelo texto publicado na
Folha que a parte clássica da medicina psiquiátrica, a maior, sempre se aproveitou dessas mazelas para observar os resultados, usando pacientes e suas famílias como cobaias, mudando a medicação de crise para crise, fabricando sintomas novos e jogando toda má sorte de resultados na doença, na incapacitação do paciente e na "necessidade" de internação.

 O movimento antimanicomial, vale lembrar, nasceu dessa chaga e em termos psiquiátricos foi a grande descoberta no fim do século passado. Políticas públicas para o movimento ainda são poucas e de pouca expressão, ainda que seja inquestionável a reabilitação de pacientes desmedicalizados vivendo em comunidades terapêuticas ou com suas famílias. Agora, com a imprensa nada preocupada em abordar alguns dos outros lados dessa questão, como o citado no último parágrafo, com a Folha, um jornal dessa envergadura, publicando o que publicou e do jeito que publicou, as coisas tendem a melhorar para a imagem da psiquiatria, da ABP e dos oito mil psiquiatras cadastrados. Quanto aos doentes mentais, suas famílias e os novos pacientes em potencial, os carentes emocionais na terceira idade, nada se pode prever no curto prazo, senão alguma piora. A matéria-press-release foi encerrada com a divulgação do novo site da Associação Brasileira de Psiquiatria. Texto tendencioso, disfarçado de informação, deformador de opinião, omisso e parcial. Uma questão de saúde pública, mais do que de jornalismo decente, está em questão.





*artigo originalmente publicado no observatório da imprensa, em  setembro de 2004