domingo, 29 de novembro de 2009

Os Rigotto contra o Jornal Já

Entenda o caso, divulgue, se for jornalista colabore, se for um leitor que pensa fora da caixa, compre os livros. O JÁ NÃO PODE FECHAR!

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=565IMQ001

sábado, 21 de novembro de 2009

O bambu é o mestre

Michele amamentando Sarah


Dizem os chineses que um bom lugar para meditar sobre polêmicas é perto de um bambuzal. Os bambus são difíceis de quebrar, mas não podem ser considerados rígidos porque têm alta flexibilidade.

Nas questões de educação, em relação ao parto, à amamentação, ao desmame, uso da chupeta, da mamadeira tanto viceja a ignorância plena quanto a rigidez diante da informação e do conhecimento.

Ok, sabemos que o parto natural é o melhor para o bebê e para a mãe. Não é achismo, está comprovado e há uma lista enorme de benefícios, sem contar os malefícios das cirurgias desnecessárias. Somente no RS o índice de morte de crianças até um ano de idade está relacionado à prematuridade em 70% dos casos e a prematuridade, por sua vez, está relacionada ao alto índice de nascimentos por cesariana eletiva. Não dá para mulheres bem-informadas e com conhecimento sobre o assunto deixarem de se mobilizar. Nós, da humanização do parto, ficamos estarrecidas diante de uma colega, uma amiga que diz: “o médico achou melhor marcar a cesárea porque o bebê já está grande, já está pronto”.

Por outro lado, não podemos esquecer que pelo menos 15% dos partos em hospitais precisam virar cirurgias salvadoras. Com parteiras esse índice costuma ficar cair bem mais. A parteira Naoli Vinaver, mexicana que está passando o mês de novembro a ministrar workshops no Brasil, tem um índice de 1,4% de necessidade de transferência para hospitais e de maneira geral as parteiras e ginecologistas humanizados têm índices menores de 10%.

Fato é que eventualmente a cirurgia, que lidera índices, pode ser necessária. Muito provavelmente não foi seu caso, cara leitora, nem da sua vizinha; não por cordão enrolado, nem por bebê que está pesando muito na barriga às 39 semanas, nem porque a bolsa estourou de manhã e era já noite e o bebê nada de nascer, também não porque você teve uma cesariana antes ou duas. Enfim, os motivos alegados e reconhecidos popularmente como motivos para efetuar uma cesariana, são mixórdias na maior parte dos casos.

Entretanto é preciso flexibilizar porque sempre houve e sempre haverá mulheres que não dão conta de parir e que se tivessem nascido em 1700 teriam morrido ou perdido os bebês. Essas precisam de cesariana. Parir é um evento fisiológico, mas faz tempo que vem recebendo agregações culturais e religiosas que engrossam o mingau do psiquismo, que por sua vez atua nos hormônios, que são os desencadeadores e coroadores do parto.

A relação com a amamentação passa por associações semelhantes e a coisa foi tão forte aí que para algumas mulheres amamentar causa ojeriza, vergonha, excessos de sentimentos que não conseguem ser depurados e levam ao desmame precoce. E lá vêm os índices alarmantes de desmames abruptos, precoces, introdução de leite artificial ou de outro animal, substituição do peito pela mamadeira, entrada de alimentos na dieta do lactente antes dos seis meses etc. E em cima dos índices e suas causas bizarras, com uma infinidade de informações, vem o conhecimento, a contracultura, o rigor, a rigidez e de repente o delicado e sinuoso movimento da humanização se vê transformado numa trincheira de “mais” mães e “menos” mães, como se as atitudes conscientes de algumas significassem uma superioridade afetiva em relação aos rebentos.

Ok, confesso que sou das radicais e trago no currículo da maternidade três partos normais, dois domiciliares, amamentação em livre demanda para bebezinhos e bebezões que já andam e comem, que têm dentes etc. Nunca dei mamadeiras como ritual, meus filhos não tomaram mamadeiras dadas por mim, nunca houve o ritual, mas...

Quando meu filho mais velho nasceu ele já tinha uma irmã de 11 anos e quando ele estava com seis meses ela foi passar um mês de férias conosco. Não estava na pauta oferecer mamadeira a ele de forma alguma, eu sabia que líquidos não eram necessários, estava achando ótimo a irmã participar da introdução da banana, das primeiras frutas, mas já no caminho do aeroporto para casa ela desabafou ansiosa: “agora já posso dar uma mamadeira para ele? É meu sonho!”

Gelei, expliquei que não era necessário, que líquido ainda seria só do leite do peito, mas depois de três ou quatro dias a observei em frente a uma prateleira de mamadeiras no supermercado; ávida, os olhinhos brilhando, ela não podia entender, a influência cultural dela era forte demais para entender aquela chatice, ela já havia me alcançado copos de água quando ele era recém-nascido, havia ajudado, se esforçado e entendido que antes dos seis meses o bebê não podia comer nada, tomar nada a não ser leite materno, mas aquela revelação no carro derrotava uma fantasia de seis meses Compramos uma pequena e o pai inventou um caldo branco: água de coco com um pouco da melequinha do coco coada no liquidificador.

Foi um sucesso, o guri parecia tomar só para contentar a irmã e ela amou isso. No colo do pai ou no meu ele cuspia, no dela era uma diversão, uma brincadeira ocasional. Quando ela foi embora olhávamos para a mamadeira e sentíamos saudade. A vida voltou ao normal, só peito e introdução de comidinhas, ao sete meses ele aprendeu a tomar água de coco no canudinho, mas eu faria tudo de novo, mesmo sabendo dos componentes do plástico das mamadeiras, que na época não se sabia, eu faria tudo outra vez porque foi um momento bambu de ser que todos merecemos.

A do meio não tomou mamadeira até perto de 3 anos, quando viu as colegas na escola tomando e pediu uma de presente. Enrolei, mas a avó deu, ela andou um período pela casa, durante a visita da avó, mordendo a borracha, meio de lado, levava para a escola para sentir-se igual às colegas, mas a professora relatou que ela mais levantava para ver como as outras faziam do que tomava o bendito suco. E ela também pediu uma chupeta com bolinhas que giravam dentro e ficava a admirar-se no espelho, sem nunca ter aprendido a chupar; ela preferia o dedo.

A caçula brincou com a irmã, outra irmã de 10 anos, de tomar mamadeira. A cultura caseira de não uso da mamadeira esbarrou na cultura familiar com duas priminhas da mesma idade que tomaram mamadeiras e sempre que as primas, que viviam em outro estado, visitavam nossa casa era a folia das mamadeiras. Eu realmente não tive coração para fazer repressão oral dessas brincadeiras e fiz vista grossa para as trocas de chupetas, esquecimentos de chupetas pela casa, fusão de melecas e afins.

Com licença amadas jaqueiras, mas vou deitar à sombra do bambuzal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Engatinhando pela Casa

Tami engatinhando


As coisas têm andado realmente rápidas e eu aprendi no final dos nove meses a engatinhar. Agora já estou com quase onze e pareço mais um lagartinho esperto. Em um minuto estou aqui e em outro já estou lá. Você, que não via hora de admirar-me engatinhando, está até com saudade dos tempos em que eu ficava do carrinho para o colo, do colo para o berço. Os adultos realmente tinham maior poder sobre os meus atos insensatos.

É verdade, mãe, que não tenho a menor sensatez e tanto faz privada ou inseto, sapato ou laranja. Enxerguei peguei, apertei e é claro, coloquei na boca para averiguar melhor. Você anda de cabelo em pé atrás de mim e eu não dou mole para armários fáceis de abrir, panelas, controle remoto, plantas...Sou um verdadeiro Charles Darwin em exploração pela casa. Minha maior frustração é que tem muita coisa proibida, mas você, como boa mãe de um bebezão de dez meses, está aprendendo a liberar um pouco para que eu possa entender o significado do sim e do não. É difícil saber o que pode e o que não pode, mas vou aprendendo.

Um feriado desses você resolveu encarar um almoço caprichado, mesmo sabendo que seria difícil conciliar todo o preparo da comida comigo engatinhando pela casa. Você teve uma idéia ótima: abriu o armário das cumbucas de plástico, que estavam ao meu alcance, e começou a cortar legumes, picar a cebola e os temperos.

Primeiro eu achei um recipiente bem grande e fiquei uns cinco minutos averiguando o produto. Era realmente duro, inquebrável mesmo. Depois joguei-o longe pois lá no fundo do armário tinha um de tom alaranjado muito bonito. Fui pegar, mas bati com a cabeça na porta do armário e comecei a chorar. A cebola e os temperos já estavam picados e os legumes e folhas já lavados. A fralda estava vencida e então fizemos uma pausa para a troca. Quando voltamos para a cozinha, insisti no armário. Dessa vez você teve a brilhante idéia de me oferecer uma colher de pau. Eu consegui pegar a tigela cor de laranja e fiz a bendita virar um belo de um tambor. Logo depois achei uma pilha de garrafas de plástico vazias. Adorei quando você colocou água em uma delas para eu brincar. Eu sacudia a garrafa com água e depois sacudia as que estavam sem água. Eu e Albert Einstein: é incrível como as garrafas são diferentes com água e sem água.

Você foi levando, conversava comigo, me chamava de lindo e quando eu já estava ficando entediado e com vontade de mamar, o almoço estava no fogo. Nova pausa. Você lavou minhas mãozinhas, meu rosto, eu mamei em você e dormi finalmente, cansado de tanta malandragem em meu colchão do dia, que fica ao lado do berço no chão do meu quarto. Só então você percebeu que não havia espaço para caminhar na cozinha, de tanta coisa jogada. Em um instante você catou tudo, colocou a mesa e ainda sobrou um tempinho para ler antes da comida ficar pronta.

Quando você e o papai almoçavam tranqüilamente aproveitando meu suposto sono, escutaram um barulhão e correram para ver o que estava acontecendo. Era eu, para lá de acordado, já havia virado toda a minha caixa de brinquedos e acabara de abrir a gaveta das meias do papai, a tal que fez o barulho quando caiu no chão. Eu nem me machuquei, mas que dei um susto em vocês eu dei e que assustei um pouco, isso também. Mas vocês, quando me viram, começaram a rir, parecia que Poltergeist, o fenômeno, havia passado pelo quarto. Estava tudo mexido e remexido e como na cozinha, antes do almoço, no quarto também não sobrava espaço para alguém caminhar. É que estou nessa fase linda, sabe mãe, em que dou o maior trabalho e preciso de uma combinação de atenção e liberdade para fazer minhas peripécias. Por isso, fique atenta e retire do meu alcance tudo o que pode ser perigoso, solte-me por aí para eu poder pesquisar o ambiente do jeito que eu bem entender, é importantíssimo para minha motricidade, essa liberdade de movimentos.

Agora estou junto com vocês almoçando no cadeirão. Sinto-me muito importante depois que conquistei esse espaço e adoro família reunida em volta da mesa. Até me comporto e já parei de jogar a colher no chão para você catar, coisa de bebês de sete, oito meses. Ando mesmo muito disposto a acertar a colher na boca, mas ainda é um pouco difícil e às vezes vai com a mão mesmo. Mas que eu como eu como, ora você interrompe seu almoço e oferece uma colherada, ora eu pego com minhas mãos, estamos descobrindo que esse momento é de puro prazer e alguma paciência; em vinte minutos eu termino bem minha refeição.

Só não gosto e então implico mesmo, quando você entra numas de forçar e se apressar, até prefiro que outra pessoa ofereça com calma o almoço; bebê de dez meses quando é contrariado, aí mesmo é que teima. Quando você se deixa guiar por mim sem sair de seu troninho de mãe, quando vai conversando, olhando nos meus olhos, falando que é bom, estalando seus lábios, em contato de verdade, não tem erro, tudo dá certo.

Eu já tenho uma certa inteligência privilegiada, não sou facilmente engambelado e já busco levar vantagens, como adiar a troca de fraldas, por exemplo. Quando você vem com a fraldinha limpa e eu estou brincando, fujo mesmo, mas isso pode ser motivo de diversão, com um pouquinho só de paciência você consegue convencer-me a trocar a fralda e em troca leva de brinde um bebê bem-humorado.



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Palmadas atingem o QI

Olhe só que notícia interessante saiu na Folha de SP. Talvez assim mais pessoas acreditem nos malefícios das palmadas.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u629126.shtml

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dezembro de 2009, Fortaleza

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um brinde às grávidas no coração do Brasil



Brasília foi tão curtido que esquecemos de tirar a foto clássica com todas as participantes.

Continua valendo a máxima de que cada workshop é único. Sim, eu sei que sempre vai ser diferente, sim eu levo na cabeça os anteriores, variações possíveis de exercícios e mais o backup da aula teórica gravado em CDs que distribuo às participantes, única forma de acalmar a angústia por me deixar levar em divagações teóricas ao tagarelar o conteúdo. E sim, mesmo sabendo que vai ser surpreendente é sempre surpreendentemente surpreendente.

A surpresa dessa vez ficou por conta de três adoráveis grávidas, cada uma numa fase diferente da gestação: Cristiane, Gabriela e Juliana. Que prêmio, que presente! Estavam garantidas as lágrimas típicas do período, mas a época das chuvas no coração do Brasil trouxe mais do que isso, foi um grupo grávido, eu mesma já precisei enxugar as lágrimas num momento inusitado, o das apresentações, o início; no aquecimento dos motores a fala de uma grávida, Gabriela, já me desarmou. Não que eu estivesse armada rsrs, mas o começo costuma ser o momento quebra-gelo, de iniciar, tatear e confesso: nunca havia acontecido antes essa subida visceral indomável assim de cara nas apresentações.

Rapidamente tentei me recompor, mas veio uma letra dos Titãs antiiiiiga lá na memória cantando para mim: “não vou lutar contra o que eu sinto...” E não tinha como, não com três Julianas de uma vez. Eram três Julianas. Sou mesmo uma pessoa de sorte, adoro Julianas e vieram três de uma vez. Uma raríssima Alaya, a Rita que nos aconchegou em seu espaço e a Flávia, que “inventou” esse encontro e me carregou para baixo e para cima proporcionando muitos outros encontros, mergulhos em águas profundas dos seres humanos, a minha praia, o que eu gosto mesmo nessa vida. Maristela esteve lá, com o filhote febril não ficou, mas nos deu a honra de conhecê-la e estar com ela e o adorável Miguel por alguns minutos.

E assim foi Brasília, um grupo das águas em tantos e tão amplos sentidos dentro e fora do workshop. Foi tanta gente dentro de mim e de maneira tão intensa que não deu para ligar para a galera amiga dos últimos anos do resto de nossas vidas, Debiday, Fofó e cia e anos 1990, Ângela, Hélio e cia e também não deu para ir tomar um vinho a convite de Janda.

Eu amo demais todas essas pessoas, tenho certeza que estar com elas, mesmo quando anos são marcados por distâncias geográficas e impossibilidades inadministráveis, seria como ter estado ontem porque são amigos do para sempre. O que ficou de desejo é voltar à Brasília com mais tempo, pelo menos mais três dias para estar com esses amigos que fazem parte importante e querida da minha história.